Perdi o sono essa noite. Nada de anormal. Fiquei pensando na vida. E imaginei uma vida diferente.
Quarta-feira, por volta das 10 horas da manhã. Estou há quase 10 dias fora de casa. Visitando alguns clientes. Reuniões. Quatro, cinco hotéis diferentes. Almoçando e jantando em restaurantes. Saudade de casa. Último cliente do dia. Conversamos sobre novos projetos. Agendamos um teste para a próxima visita, mês que vem. A mala já está no carro. Cento e cinquenta quilômetros de casa. Se eu sair agora, antes das 13 horas estou em casa.
Penso se vou almoçar no caminho ou seguir direto. O café da manhã foi bem cedo, depois de uma corrida de 5 km que eu faço todos os dias quando estou fora de casa. Já está na hora da fome. Talvez eu pare no caminho.
Pego a estrada. Começo a pensar nas coisas para resolver. Passar na lavanderia. Deixar as roupas da viagem, buscar as últimas que deixei pra lavar. O tempo esfriou, vou levar o edredom pra lavar também. Mercado. Cerveja sem álcool, pipoca... Pensar em alguma coisa para o almoço de sexta. São os melhores dias do mês... Pensar em quais coisas vou fazer, algum agrado.
O carro anda rápido na estrada. Trânsito tranquilo. A fome vai apertando. Faltam 50 km e já são mais de onze horas. Melhor parar. Muito tempo sem comer.
Para em um posto de gasolina que tem um restaurante. Cansada de comer fora de casa, querendo uma comida caseira. Sempre lembro do almoço no passeio para a caverna, há alguns anos atrás... Uma das refeições mais saborosas que já comi fora de casa. Sorrio sozinha relembrando este passeio. Nosso segundo encontro. Tanta coisa aconteceu desde lá.
O buffet está posto. Nada me chama a atenção. Um pouco de carne, uma salada. Tenho pressa em voltar pra casa.
Estou novamente na estrada. O pior pedaço da viagem. Atravessar a cidade até chegar em casa. Trânsito do horário do almoço.
Enfim, contorno o quarteirão e entro com o carro na garagem. Moro em um condomínio de apartamentos, bairro residencial. Torres altas, apartamentos pequenos mas confortáveis. Ainda é alugado. Estamos nos organizando para comprar um imóvel nosso.
Subo pelas escadas. Nunca tenho paciência para o elevador. A mala parece mais pesada que o costume. Cansaço.
Procuro as chaves na bolsa, já na porta de casa. Sempre brigamos por conta disso. A bolsa enorme, mil coisas espalhadas. Sempre custo a achar...
Finalmente, acho a chave. Mando uma mensagem pra ele dizendo que cheguei. Pelo horário, ele deve estar descansando. Daqui a pouco visualiza.
O apartamento é pequeno. Tem uma cozinha projetada, preta e cinza. Fogão sobre a bancada, forno e micro-ondas sobre o armário. Geladeira grande. Um balcão com bancos altos. Ao fundo, uma pequena área de serviço separada por uma porta de vidro. Máquina de lavar, secadora, um varal de teto.
A sala é razoavelmente grande. Um sofá reclinável grande, cinza. TV na parede, nada de rack. Decidimos não investir muito em móveis já que pretendemos nos mudar para um lugar definitivo, nosso. Uma mesa redonda com 4 cadeiras, que serve tanto como mesa de jantar, quanto de escritório quando estou em home office.
O apartamento cheira a limpeza. Sempre programo uma faxina para a véspera da minha chegada, deixo uma chave extra com a empresa e pronto. No começo fiquei receosa de ter uma pessoa estranha em casa na nossa ausência, mas serviços domésticos nunca foram meu forte. Ele sabe disso, também acha que eu não preciso me matar lavando um banheiro. Nosso tempo juntos é muito precioso. Nada de tarefas enfadonhas.
Sempre abro a geladeira quando chego. Receio de alguma coisa ter dado errada na minha ausência. Alguma falta de energia, algum problema na geladeira... Checo e está tudo ok.
Entro checando os outros cômodos. O apartamento, embora não seja muito grande, tem três quartos e dois banheiros, sendo um privativo do nosso quarto.
Um dos quartos tem as coisas do meu filho, que estuda em outra cidade. Vem em casa uma vez por mês, e eu vou visitá-lo também uma vez por mês. As coisas da minha mãe também estão neste quarto. Atualmente ela se divide entre a minha casa e a casa dos meus irmãos. Está no paraíso por estar perto de todos depois de tanto tempo.
O outro quarto é dos filhos dele. Eventualmente algum deles vem passar o final de semana conosco. Ou quando precisam resolver alguma coisa na cidade. O mais velho tem a chave. Mesmo quando não estamos em casa, se ele precisa, ele vem.
E o nosso quarto. Nosso lugar preferido. No começo, uma discussão sobre a TV. Eu não queria uma no quarto, mas ele insistiu. Acho que tira o foco do casal, mas acabou que passamos a assistir filmes e séries juntos, aproveitando todos os momentos possíveis.
Tomo um banho pra me livrar do cansaço da viagem. Ainda tenho muito o que fazer. Saio do banheiro enrolada na toalha.
Checo os e-mails pelo celular. Nada de urgente. Olho nossa conversa, ele ainda não acordou. Logo vê.
Separo as roupas sujas da mala. Levo as minhas hoje, e na sexta, quando for buscar, deixo as dele.
Ele responde minha mensagem. Sorrio sozinha de novo... A véspera da sua chegada sempre é muito difícil pra mim. Misto de alegria com o retorno, preocupação com os deslocamentos. Afasto os pensamentos negativos. Ele está me ligando por uma vídeo chamada.
Nos vemos. Todos os dias neste horário temos essa chamada de vídeo. Faço sempre de tudo pra não deixar de acontecer. Nem que seja breve, só um aceno e um beijo. Mas é nosso trato: todos os dias, pelo menos uma vez, a gente se ver. Há anos cultivamos isso.
Ele sorri ao me ver. Meu coração se enche de alegria. Tem sido assim há muito tempo, e a sensação de felicidade nunca muda.
Ele fala um pouco sobre seu dia, eu falo da viagem. Ele confirma o desembarque amanhã, e eu fico de enviar o voucher da passagem. Eu faço as compras das passagens dele para embarque e desembarque e embora no dia de ir eu sempre envie os arquivos para ele, ele nunca acha quando precisa. Já estou acostumada.
Ele repara que estou só de toalha. Pede pra me ver. Está sozinho no camarote. Eu apoio o celular sobre a cama, ajusto a câmera para que eu fique visível. Me sento de frente para o telefone. Ele gosta quando eu faço isso. Estou com saudades dele, faz duas semanas desde a última noite juntos. Essa brincadeira já me excita.
Ele diz que vai tomar um banho. É sempre nosso momento. Ele vai para o banheiro. Eu estou aguardando por ele pacientemente. Sei que vamos ter momentos gostosos.
Ele liga novamente a câmera. Agora é a vez dele dar as ordens. Pede que eu tire a toalha que envolve meu corpo. Sabe que estou nua por baixo dela. Ele se excita ao me ver. Meu corpo reage mais ainda. Pede que eu afaste os cabelos, quer ver meus seios... Toco levemente com as mãos meus mamilos. Ele se toca também. São momentos assim que nos mantém com tesão um no outro. A provocação, o desejo de ver e tocar o outro, a saudade. Ele fala coisas que eu gosto de ouvir. Sabe o quanto isso me excita. Passo a me tocar com mais intensidade, em outras partes do meu corpo.
Estou com saudades do seu toque em mim. Enquanto ele fala o que pretende fazer quando nos encontrarmos, eu imagino nossos corpos juntos. É muito forte a ligação que temos, principalmente na cama. Perto ou longe.
A brincadeira esquenta. Sempre demoro um pouco mais pra me satisfazer. Ele sabe disso. É paciente e dedicado, mesmo que virtualmente. Me conduz ao meu prazer. Me observa enquanto atinjo o ápice. Sorri satisfeito. Agora se dedica ao próprio prazer. E eu que observo. A saudade é grande. Mas amanhã logo chega.
Hora de voltar ao trabalho. Ele toma um banho pra acalmar o corpo. Deixa o telefone posicionado de forma que eu posso continuar a vê-lo. Termina o banho. Nos despedimos com beijos virtuais. Menos de 30 horas e vamos estar juntos novamente. Daqui a pouco nos falamos mais.
Volto para o chuveiro. Leve. Essa rotina do carinho virtual nos faz bem. Termino o banho e agora me visto. Vamos aos afazeres.
Amanhã eu continuo!
sexta-feira, 29 de maio de 2020
segunda-feira, 25 de maio de 2020
Porque ele.
Vou tentar explicar.
Talvez seja a forma como ele cuida de mim. Sua preocupação em saber se cheguei
Em pedir que eu não demore, não volte tarde. Seu zelo quando demonstro minhas inseguranças e fraquezas. Talvez seja ciúme, que ele não faz questão nenhuma de disfarçar.
Ou sua voz. Seu jeito de pronunciar as palavras, de construir as frases. Concordância verbal é sexy, não tenho dúvidas...
Mas às vezes acho que é a forma que me olha. O brilho no olhar quando nos encontramos. O olhar alegre, na gratidão do encontro, na certeza de momentos bons.
Em outros momentos, acho que é a forma que me mantém ao seu lado quando estamos juntos. Sempre a procura do meu olhar, de mãos dadas, corpos próximos, beijos roubados, carinhos discretos e sinceros.
Penso também que me encanta a forma como quer me entender. Como tenta me ajudar. Como descontrói meus medos. Reforça minha auto estima, como impõe que eu me valorize.
Mas sei que a forma como me toca faz meu mundo girar diferente. O contato simples do primeiro momento, mãos dadas apertadamente, para demonstrar para o outro que aquele momento é real. Depois o beijo. O primeiro depois de longo tempo. Esse primeiro beijo, o beijo do reencontro, tem o sabor da saudade. A pressa do amor guardado por meses. É um beijo rápido, muitas vezes ainda no meio das pessoas, um saguão de aeroporto qualquer.
No caminho pra algum lugar, as declarações de saudade cercadas de amor. Mãos dadas, como se pudessem manter o tempo congelado naquele momento. É tanta alegria que é possível ouvir nossos corações pularem. Outro beijo, e mais outro. Nossos corpos se reconhecendo no reencontro.
Tudo vibra, tudo pulsa ao seu lado. Meu corpo foi feito na medida para o seu.
Chegamos em algum lugar. Qualquer lugar. Porque o lugar não importa. Uma porta se fecha atrás de nós. É o momento onde sabemos que agora o mundo é nosso. Só eu e ele.
O beijo. Aquele guardado mesmo. Com pressa da boca do outro. Agora sem plateia. Sem medo. Sem olhares ao redor. E sem pressa. A pressa é pelo outro. Estar perto, estar junto, estar.
O beijo. Não sei explicar. Duas bocas unidas como se nunca tivessem estado longe uma da outra. Seu gosto nos meus lábios é tão familiar. A sua respiração junto da minha. Seu coração no compasso do meu. Eu e você, como se fosse assim desde a eternidade.
A sua boca procura pela minha com pressa. Você quer meu gosto em você. Sua língua invadindo, seus lábios nos meus, você me mordendo, sugando minha boca para completar a sua. Juntos, lábios, língua, respiração. Temos pressa em voltar a sermos um só.
Não há tempo pra nada. Seu corpo reage com força ao meu. Te sinto através de nossas roupas. Excitado, quente, rígido contra minhas coxas.
Suas mãos nos meus cabelos, entrelaçando, me puxando pra mais perto, pra dentro do seu beijo.
Uma mão está na minha nuca, firme, dominando os movimentos do nosso beijo. Mantendo minha boca na sua. A outra mão, maliciosa, quer redescobrir cada centímetro do meu corpo. Pescoço, ombros, seios. Com pressa. Com violência, firmeza. Suas coxas pressionam as minhas. Estamos em pé, você me mantém presa contra a parede.
Sempre me visto para esses reencontros pensando em você. Uma saia. Um vestido. Gosto de ver sua reação ao me ver vestida assim. E penso sempre no momento que vamos fechar a porta.
Sua mão agora desce pelo meu abdômen. Para na minha cintura. Aperta, pressiona. Insinua sua perna entre as minhas pernas, forçando-as a se separarem. Sobe a coxa entre as minhas. Empurra seu corpo contra o meu. Quer que eu sinta como está excitado. Te sinto.
Segura meu quadril e me vira de costas pra você. Levanta minhas mãos acima da minha cabeça. Prende meus pulsos com sua mão. A outra mão está livre. Desce pelas minhas costas, me aperta a cintura, desce e me aperta o bumbum. Me empurra contra a parede com o peso do seu corpo. Solta minhas mãos e agora está com a mão no meu rosto, me forçando a virar para poder me beijar mais e mais.
Puxa pelos cabelos. Deixa a nuca livre e me beija o pescoço. Eu já não sei gemer baixo. Esqueço se pode haver alguém por perto.
Agora está com as duas mãos na minha cintura... Força o meu corpo contra seu próprio corpo. Movimenta seus quadris pra eu sentir mais uma vez sua ereção. Meu corpo está tenso de desejo.
Sua mão sai da minha cintura e se insinua sobre a renda da minha calcinha. Ele me sente úmida e quente, mesmo ainda sem me tocar sobre a pele. Tem pressa. A sua mão agora está dentro da minha calcinha. Agora ele tem a dimensão da minha excitação. Seus dedos deslizam sobre toda a umidade que meu corpo produz de tanto tesão. Sinto seus dedos me tocarem com precisão. Me faz gemer mais ainda. Não quer só tocar. Quer sentir meu gosto. Quer que eu sinta meu próprio sabor. Seus dedos, que antes passeavam em mim, agora estão na minha boca. Passo a língua para sentir meu gosto nele.
Ele pressiona mais e mais o corpo no meu. Volta a mão pra dentro da minha calcinha. Estou cada vez mais quente, mais molhada. Ele agora desabotoa a própria calça. Meu corpo vibra de ansiedade.
Rapidamente se livra do calçado, tira a calça, tudo isso me mantendo presa à parede. Agora ele tira minha calcinha. Enquanto desce a peça pelas minhas pernas, beija barriga, coxas, bumbum.. continuo de costas, como se estivesse presa em um castigo quente e excitante.
Agora, sinto seu calor diretamente na minha pele. Quente, rígido... Seu corpo quer o meu com urgência. Ele curva meu corpo pra frente. Meu corpo dói na expectativa do prazer. Se posiciona me segurando pelos quadris. Sua respiração rápida se confunde com a minha. Meu corpo implora pelo dele. De tanta excitação, sinto meu corpo tenso.
Seu sexo pulsa de ansiedade entre minhas pernas. Uma mão me mantém firme pela cintura. A outra agora guia seu corpo para dentro do meu. Impiedoso, se joga em mim. Sem pensar. Apenas instinto. Um segundo, talvez mais, e somos um só.
Parado, dentro de mim. Respiração suspensa. Invade meu corpo que agora é todo seu. Desliza pra dentro de mim. Todo meu corpo estremece. Um só novamente. Entregues.
Ele se movimenta dentro de mim. Meu corpo enlouquece. Quer mais. Minha respiração pesada é a senha que ele precisa pra continuar. E ele continua. Não é o momento pra carinho ou delicadeza. A pressa do prazer de estar juntos de novo nos deixa ferozes. Somos dois bichos se amando.
Sinto seu corpo preencher o meu. Todo. Cada centímetro dele tomando conta de cada espaço em mim. Movimentos fortes. Cada investida dele contra meu corpo me faz delirar.
Ele está tenso. Se segura depois de tanto tempo de expectativas. Somos um só de novo. Como sempre deveria ser.
Pressa. Não conseguimos nos controlar. Ele me vira e me joga sobre a cama. Quer me olhar nos olhos enquanto domina meu corpo.
Afasta minhas pernas, separa minhas coxas. Está olhando pra mim. Olhos quentes de desejo.
Novamente ele está dentro de mim. Se projeta até o fim. Sinto a invasão do meu corpo. Ele domina meu prazer. Me faz gemer a cada investida.
Me beija enquanto penetra meu corpo com o seu. Meus gemidos são abafados pelos seus beijos.
O seu peso está sobre mim. Investe sem dó. Seus movimentos são fortes. Dor e prazer juntos. Ele acelera as investidas. Meu corpo treme. Estou gemendo. Dor e prazer, sempre.
Ele está em mim. Sinto novamente cada pedaço seu dentro de mim. Aumenta ainda mais meu tesão a cada movimento seu.
Sinto toda a excitação se transformando em energia dentro de mim. Ele sabe que estou no limite. Diminui o ritmo. Meu corpo reclama sob o seu.
Subo meus quadris pedindo mais. Ele penetra mais fundo. Gemo de dor. Ele sabe que me maltrata com isso. Mas não peço pra parar. Pelo contrário, envolvo sua cintura com minhas pernas e com isso, permito que ele vá mais profundo em mim.
Meu corpo se ergue pra receber o seu. O movimento está mais intenso. Seu calor em mim só faz aumentar meu desejo.
Tudo em mim se contrai. Não consigo mais segurar. Ele me segura pelo rosto. Quer meu olhos no dele. Continua se mexendo em mim. Mais... E mais. Já não consigo respirar. O coração está demasiadamente acelerado. Ele intensifica a invasão, bate com força seu corpo contra o meu... Estou quente, dentro e fora. Não tenho mais como resistir.
Mais uma vez, e outra, meu corpo se contorce, se contrai, e em um movimento mais firme seu, tudo em mim vira sensação. Meu gozo explode em mim. E ele gosta do que vê. Meu rosto contraído de tanto prazer. Lábios apertados, tensos. E toda a energia acumulada extravasa em um gemido intenso e profundo. Todo meu corpo treme sob o dele. Tudo é prazer.
Ele observa meu corpo extravasando a tensão. E isso aumenta o tesão dele. Ele sabe que agora pode também desfrutar desse mesmo prazer, porque já me fez sair do chão, já me levou ao céu. O
movimento agora está mais forte. Meu corpo continua reagindo à invasão dele. Ele está cada vez mais rápido dentro de mim. Isso só prolonga meu êxtase... Continuo delirando de prazer. E ele está cada vez mais próximo do dele. Eu sinto agora a tensão. Ele me aperta contra seu corpo, aumenta o ritmo das investidas freneticamente. Crava seus dedos na minha cintura e com isso empurra mais seu corpo contra o meu. Nossos corpos estão banhados de suor. Ele continua. Intenso, firme, quente dentro de mim.
Até que todo o seu corpo se contrai. Ele está feroz sobre mim. O movimento acelera intensamente. Ele se contorce. Quer estar inteiro dentro de mim. Com força, com saudade, com tesão. Me puxa mais e mais. Meu corpo se contrai novamente..ele não pára. Estou gemendo e pressionando meus quadris contra o dele... Ele quer mais. E mais. Muito mais. Até que seu corpo não consegue mais evitar. Ele geme alto, me invade mais uma vez com violência, meu corpo vibra de prazer. Estamos juntos no auge da junção de um no outro. Ele geme mais alto, e seu corpo já não se controla mais. Ele explode em êxtase dentro de mim. Eu sinto meu corpo se encher do seu calor. Ele está dentro de mim. Completamente meu. E eu, completamente sua. Entregues. Em um gozo único, intenso. Mágico.
Permanecemos deitados um no outro. Coração pulsando acelerado, respiração ofegante. Completamos o encontro. Corpo, alma, coração. Somos um só novamente. Como deve ser.
Suor, calor, corpos colados. Prazer. Nossos cheiros e fluidos se misturam. De novo, somos um só.
Ele ergue seu corpo sobre o meu. Me beija com carinho. Se vira para o lado e me puxa sobre seu peito. Ouço seu coração ainda acelerado. O melhor lugar do mundo... Seu abraço. Adormeço. Segura, amada, completa.
Por que ele? Preciso mesmo explicar?...
Talvez seja a forma como ele cuida de mim. Sua preocupação em saber se cheguei
Em pedir que eu não demore, não volte tarde. Seu zelo quando demonstro minhas inseguranças e fraquezas. Talvez seja ciúme, que ele não faz questão nenhuma de disfarçar.
Ou sua voz. Seu jeito de pronunciar as palavras, de construir as frases. Concordância verbal é sexy, não tenho dúvidas...
Mas às vezes acho que é a forma que me olha. O brilho no olhar quando nos encontramos. O olhar alegre, na gratidão do encontro, na certeza de momentos bons.
Em outros momentos, acho que é a forma que me mantém ao seu lado quando estamos juntos. Sempre a procura do meu olhar, de mãos dadas, corpos próximos, beijos roubados, carinhos discretos e sinceros.
Penso também que me encanta a forma como quer me entender. Como tenta me ajudar. Como descontrói meus medos. Reforça minha auto estima, como impõe que eu me valorize.
Mas sei que a forma como me toca faz meu mundo girar diferente. O contato simples do primeiro momento, mãos dadas apertadamente, para demonstrar para o outro que aquele momento é real. Depois o beijo. O primeiro depois de longo tempo. Esse primeiro beijo, o beijo do reencontro, tem o sabor da saudade. A pressa do amor guardado por meses. É um beijo rápido, muitas vezes ainda no meio das pessoas, um saguão de aeroporto qualquer.
No caminho pra algum lugar, as declarações de saudade cercadas de amor. Mãos dadas, como se pudessem manter o tempo congelado naquele momento. É tanta alegria que é possível ouvir nossos corações pularem. Outro beijo, e mais outro. Nossos corpos se reconhecendo no reencontro.
Tudo vibra, tudo pulsa ao seu lado. Meu corpo foi feito na medida para o seu.
Chegamos em algum lugar. Qualquer lugar. Porque o lugar não importa. Uma porta se fecha atrás de nós. É o momento onde sabemos que agora o mundo é nosso. Só eu e ele.
O beijo. Aquele guardado mesmo. Com pressa da boca do outro. Agora sem plateia. Sem medo. Sem olhares ao redor. E sem pressa. A pressa é pelo outro. Estar perto, estar junto, estar.
O beijo. Não sei explicar. Duas bocas unidas como se nunca tivessem estado longe uma da outra. Seu gosto nos meus lábios é tão familiar. A sua respiração junto da minha. Seu coração no compasso do meu. Eu e você, como se fosse assim desde a eternidade.
A sua boca procura pela minha com pressa. Você quer meu gosto em você. Sua língua invadindo, seus lábios nos meus, você me mordendo, sugando minha boca para completar a sua. Juntos, lábios, língua, respiração. Temos pressa em voltar a sermos um só.
Não há tempo pra nada. Seu corpo reage com força ao meu. Te sinto através de nossas roupas. Excitado, quente, rígido contra minhas coxas.
Suas mãos nos meus cabelos, entrelaçando, me puxando pra mais perto, pra dentro do seu beijo.
Uma mão está na minha nuca, firme, dominando os movimentos do nosso beijo. Mantendo minha boca na sua. A outra mão, maliciosa, quer redescobrir cada centímetro do meu corpo. Pescoço, ombros, seios. Com pressa. Com violência, firmeza. Suas coxas pressionam as minhas. Estamos em pé, você me mantém presa contra a parede.
Sempre me visto para esses reencontros pensando em você. Uma saia. Um vestido. Gosto de ver sua reação ao me ver vestida assim. E penso sempre no momento que vamos fechar a porta.
Sua mão agora desce pelo meu abdômen. Para na minha cintura. Aperta, pressiona. Insinua sua perna entre as minhas pernas, forçando-as a se separarem. Sobe a coxa entre as minhas. Empurra seu corpo contra o meu. Quer que eu sinta como está excitado. Te sinto.
Segura meu quadril e me vira de costas pra você. Levanta minhas mãos acima da minha cabeça. Prende meus pulsos com sua mão. A outra mão está livre. Desce pelas minhas costas, me aperta a cintura, desce e me aperta o bumbum. Me empurra contra a parede com o peso do seu corpo. Solta minhas mãos e agora está com a mão no meu rosto, me forçando a virar para poder me beijar mais e mais.
Puxa pelos cabelos. Deixa a nuca livre e me beija o pescoço. Eu já não sei gemer baixo. Esqueço se pode haver alguém por perto.
Agora está com as duas mãos na minha cintura... Força o meu corpo contra seu próprio corpo. Movimenta seus quadris pra eu sentir mais uma vez sua ereção. Meu corpo está tenso de desejo.
Sua mão sai da minha cintura e se insinua sobre a renda da minha calcinha. Ele me sente úmida e quente, mesmo ainda sem me tocar sobre a pele. Tem pressa. A sua mão agora está dentro da minha calcinha. Agora ele tem a dimensão da minha excitação. Seus dedos deslizam sobre toda a umidade que meu corpo produz de tanto tesão. Sinto seus dedos me tocarem com precisão. Me faz gemer mais ainda. Não quer só tocar. Quer sentir meu gosto. Quer que eu sinta meu próprio sabor. Seus dedos, que antes passeavam em mim, agora estão na minha boca. Passo a língua para sentir meu gosto nele.
Ele pressiona mais e mais o corpo no meu. Volta a mão pra dentro da minha calcinha. Estou cada vez mais quente, mais molhada. Ele agora desabotoa a própria calça. Meu corpo vibra de ansiedade.
Rapidamente se livra do calçado, tira a calça, tudo isso me mantendo presa à parede. Agora ele tira minha calcinha. Enquanto desce a peça pelas minhas pernas, beija barriga, coxas, bumbum.. continuo de costas, como se estivesse presa em um castigo quente e excitante.
Agora, sinto seu calor diretamente na minha pele. Quente, rígido... Seu corpo quer o meu com urgência. Ele curva meu corpo pra frente. Meu corpo dói na expectativa do prazer. Se posiciona me segurando pelos quadris. Sua respiração rápida se confunde com a minha. Meu corpo implora pelo dele. De tanta excitação, sinto meu corpo tenso.
Seu sexo pulsa de ansiedade entre minhas pernas. Uma mão me mantém firme pela cintura. A outra agora guia seu corpo para dentro do meu. Impiedoso, se joga em mim. Sem pensar. Apenas instinto. Um segundo, talvez mais, e somos um só.
Parado, dentro de mim. Respiração suspensa. Invade meu corpo que agora é todo seu. Desliza pra dentro de mim. Todo meu corpo estremece. Um só novamente. Entregues.
Ele se movimenta dentro de mim. Meu corpo enlouquece. Quer mais. Minha respiração pesada é a senha que ele precisa pra continuar. E ele continua. Não é o momento pra carinho ou delicadeza. A pressa do prazer de estar juntos de novo nos deixa ferozes. Somos dois bichos se amando.
Sinto seu corpo preencher o meu. Todo. Cada centímetro dele tomando conta de cada espaço em mim. Movimentos fortes. Cada investida dele contra meu corpo me faz delirar.
Ele está tenso. Se segura depois de tanto tempo de expectativas. Somos um só de novo. Como sempre deveria ser.
Pressa. Não conseguimos nos controlar. Ele me vira e me joga sobre a cama. Quer me olhar nos olhos enquanto domina meu corpo.
Afasta minhas pernas, separa minhas coxas. Está olhando pra mim. Olhos quentes de desejo.
Novamente ele está dentro de mim. Se projeta até o fim. Sinto a invasão do meu corpo. Ele domina meu prazer. Me faz gemer a cada investida.
Me beija enquanto penetra meu corpo com o seu. Meus gemidos são abafados pelos seus beijos.
O seu peso está sobre mim. Investe sem dó. Seus movimentos são fortes. Dor e prazer juntos. Ele acelera as investidas. Meu corpo treme. Estou gemendo. Dor e prazer, sempre.
Ele está em mim. Sinto novamente cada pedaço seu dentro de mim. Aumenta ainda mais meu tesão a cada movimento seu.
Sinto toda a excitação se transformando em energia dentro de mim. Ele sabe que estou no limite. Diminui o ritmo. Meu corpo reclama sob o seu.
Subo meus quadris pedindo mais. Ele penetra mais fundo. Gemo de dor. Ele sabe que me maltrata com isso. Mas não peço pra parar. Pelo contrário, envolvo sua cintura com minhas pernas e com isso, permito que ele vá mais profundo em mim.
Meu corpo se ergue pra receber o seu. O movimento está mais intenso. Seu calor em mim só faz aumentar meu desejo.
Tudo em mim se contrai. Não consigo mais segurar. Ele me segura pelo rosto. Quer meu olhos no dele. Continua se mexendo em mim. Mais... E mais. Já não consigo respirar. O coração está demasiadamente acelerado. Ele intensifica a invasão, bate com força seu corpo contra o meu... Estou quente, dentro e fora. Não tenho mais como resistir.
Mais uma vez, e outra, meu corpo se contorce, se contrai, e em um movimento mais firme seu, tudo em mim vira sensação. Meu gozo explode em mim. E ele gosta do que vê. Meu rosto contraído de tanto prazer. Lábios apertados, tensos. E toda a energia acumulada extravasa em um gemido intenso e profundo. Todo meu corpo treme sob o dele. Tudo é prazer.
Ele observa meu corpo extravasando a tensão. E isso aumenta o tesão dele. Ele sabe que agora pode também desfrutar desse mesmo prazer, porque já me fez sair do chão, já me levou ao céu. O
movimento agora está mais forte. Meu corpo continua reagindo à invasão dele. Ele está cada vez mais rápido dentro de mim. Isso só prolonga meu êxtase... Continuo delirando de prazer. E ele está cada vez mais próximo do dele. Eu sinto agora a tensão. Ele me aperta contra seu corpo, aumenta o ritmo das investidas freneticamente. Crava seus dedos na minha cintura e com isso empurra mais seu corpo contra o meu. Nossos corpos estão banhados de suor. Ele continua. Intenso, firme, quente dentro de mim.
Até que todo o seu corpo se contrai. Ele está feroz sobre mim. O movimento acelera intensamente. Ele se contorce. Quer estar inteiro dentro de mim. Com força, com saudade, com tesão. Me puxa mais e mais. Meu corpo se contrai novamente..ele não pára. Estou gemendo e pressionando meus quadris contra o dele... Ele quer mais. E mais. Muito mais. Até que seu corpo não consegue mais evitar. Ele geme alto, me invade mais uma vez com violência, meu corpo vibra de prazer. Estamos juntos no auge da junção de um no outro. Ele geme mais alto, e seu corpo já não se controla mais. Ele explode em êxtase dentro de mim. Eu sinto meu corpo se encher do seu calor. Ele está dentro de mim. Completamente meu. E eu, completamente sua. Entregues. Em um gozo único, intenso. Mágico.
Permanecemos deitados um no outro. Coração pulsando acelerado, respiração ofegante. Completamos o encontro. Corpo, alma, coração. Somos um só novamente. Como deve ser.
Suor, calor, corpos colados. Prazer. Nossos cheiros e fluidos se misturam. De novo, somos um só.
Ele ergue seu corpo sobre o meu. Me beija com carinho. Se vira para o lado e me puxa sobre seu peito. Ouço seu coração ainda acelerado. O melhor lugar do mundo... Seu abraço. Adormeço. Segura, amada, completa.
Por que ele? Preciso mesmo explicar?...
domingo, 17 de maio de 2020
Agir como se...
Aja como se.
Agir como se não estivesse com
depressão. Essa é a proposta do psicólogo essa semana. De cara, achei uma
tarefa bem fácil. Afinal, passar um dia fazendo só as coisas que gosta e outro
se dedicando ao trabalho, não deve ser nenhum problema fora do comum.
Mas uma coisa me intriga desde
que ele lançou o exercício: não consigo me lembrar de fazer coisas prazerosas.
Não sei o que fazer. Mas calma. Ainda tem dois dias para descobrir.
Paro para pensar na minha vida.
Não é tão ruim assim. Viajo com uma certa frequência... isso me dá prazer.
Avalio as últimas viagens... definitivamente não me dão prazer. Pode ser
reflexo da depressão. Afinal, até hoje não consigo identificar desde quando ela
toma conta dos meus pensamentos.
Corto viajar. Não é isso. Exercícios
físicos. Acho que é isso. Sou muito comprometida. Fora no auge da depressão,
que eu simplesmente inventava mil desculpas para não ir, me lembro que gostava.
Ou não. Talvez a motivação fosse não ser mais um caso nas estatísticas de quem
já fez a bariátrica e engordou tudo de novo. De fato, não é uma coisa muito prazerosa
ficar levantando peso e fazendo os mesmos movimentos repetidas vezes... Corto
atividade física.
Embora eu gostasse de correr.
Acho que pelo momento só meu. Absorta nos pensamentos. Sozinha, música nos
ouvidos, pensamentos soltos. Realmente, momentos de satisfação. Além do desafio
contra si mesma. É... mas ainda não posso correr. Quem sabe uma caminhada. Um
item para a lista.
Me lembro agora dos últimos
momentos que eu me senti verdadeiramente alegre: meu anjo. Sempre me vêm
à cabeça essas recordações. São tempos de completa felicidade. Até eu perceber
que são passageiros. Ai, toda a tristeza cai de volta sobre mim, e eu volto ao
mundo real. Se não fosse a partida sem perspectiva de próxima vez, seriam os
tempos perfeitos, onde a depressão não cabe, não entra e não tem vez.
Ler. Era apaixonada por livros.
Ler era o meu hobby. Ficção. Romance. Histórias. Remexo numa caixa antiga e
empoeirada. Resgato alguns livros que nem lembro se já li. Segundo item na
minha lista. Já está melhorando.
Nunca tive talentos na cozinha.
Sei fazer o básico para me virar. Nunca me fez falta saber cozinhar. Nem cuidar
da casa. Sempre tive quem fizesse por mim. Minha prioridade nunca foi ser bela,
recatada e do lar. Cozinhar alguma coisa está fora da minha lista.
Do lar não, mas do bar. Agora que
estou pensando nas coisas que gostava de fazer, me vem à mente a lembrança de
estar em bares. Às vezes com amigos, às vezes, sozinha. Sempre gostei. Alguma
coisa para beber, uma música ao vivo. Ou conversar muito. Com pessoas
diferentes. Assuntos novos ou velhos. Uma coisa que me dava prazer. Muito. E
simplesmente saiu da minha vida. Como eu deixei isso acontecer?
Amigos. Sempre tive muitos
amigos. Vivia rodeada deles. Minha casa era sempre o ponto de encontro. O lugar
onde se podia ter um espaço tranquilo e legal. Os pais dos amigos gostavam de
mim. Apesar de sempre ter um pouco de bebidas e eventualmente um cigarro, nunca
houve drogas nem nada ilícito. Nem brigas, nem desentendimentos.
Havia sempre música. A música
sempre esteve comigo. Das tardes de domingo na infância, quando nos reuníamos
ao redor do pai ao violão e cantávamos juntos, até os shows que eu sempre
gostei de ir. Zé Ramalho pelas madrugadas frias de Barbacena, um maço de gudan
e um litro de catuaba. Para sete, oito pessoas. E a gente via o dia amanhecer.
Felizes.
Sempre gostei de dançar. Desde os
bailinhos na adolescência, ao som de Roxete, Erik Clapton, Simply Red, passando
pelo forró gostoso no Espírito Santo e pelo modão lá em Goiás. Dançar juntos.
Mãos na cintura, sensualidade e flerte. Essas lembranças me fazem sorrir.
Comer nunca foi uma fonte de
prazer. Claro que boas comidas sempre trazem uma sensação boa, mas a minha
relação com a comida nunca foi muito amistosa. Além de muito tempo morando
sozinha, sem grandes avanços na culinária, a forma como o alimento é visto na
minha vida hoje não me agrada. Todos os passeios envolvem comer. E eu não sinto
satisfação nisso, por não comer muito e por ter que encarar esses momentos como
a principal fonte de lazer da família.
Eu penso nos momentos que eu
realmente fui feliz nesses últimos anos da minha vida. Não consigo lembrar de
muitos. Os momentos com meu anjo, sempre. Momentos de reconhecimento profissional.
Minha formatura, como primeira aluna do curso, depois de seis anos de luta e
abdicação. Meu filho. A sombra da depressão faz tudo ficar cinza.
Bom, não quero pensamentos
negativos agora. Tenho algumas coisas que posso fazer. Que venha o domingo.
E ele chega. Primeiro plano pra
hoje: uma caminhada na praia logo cedo, se a chuva der uma trégua. O relógio
desperta por volta das cinco e pouco da manhã. Olho pela janela e vejo um céu
limpo, azul, sem sinal de chuva. Que droga, no fundo, queria que amanhecesse
chovendo. Ele desliga o despertador e não fala nada. Finjo que estou dormindo.
Aguardo ele me perguntar se vamos mesmo caminhar. Ele não fala nada. Eu volto a
dormir. Um a zero para a depressão.
E lá vem a culpa. Comecei mal.
Penso em levantar e preparar o café da manhã para todos. O sono volta. Quando
acordo, mãe já está de pé, preparando tudo. Dois a zero para a depressão.
Deixei a preguiça dominar. Vou ficando triste. Mas não. Hoje não.
Levanto, arrumo a cama, coisa
rara em um domingo. Normalmente passo o dia todo deitada. Tiro o pijama e visto
uma roupa para sair. Não vou ficar de pijama o dia todo. Dois a um. Nessa, a
depressão não vai levar.
Venho enrolando sobre fazer as
compras no supermercado. Mas não quero perder o meu “happy day” com isso. Mas
preciso de alguma coisa para o almoço. Pensei em tantas coisas que poderia
comer que me trouxessem algum prazer. Decido. Vamos buscar. Só nos dois. Peço para
ir de moto com ele. No início do nosso namoro, quando morávamos no interior,
nossa diversão era vir de moto à capital, passear por alguma praia. Quem sabe?
O vento no rosto. A visão do mar.
O sol aquecendo meus braços. Fecho os olhos. É uma sensação boa. Não preciso
conversar. Não preciso interagir. Só sentir o momento. Quando tudo isso passar,
quero vir mais vezes ver o mar. Realmente me sinto bem. Mercado, não tem como
escapar. Uma sobremesa que me remete à infância. Uma cerveja sem álcool. Vamos
para casa.
Um livro. Muito tempo que não
leio. Escolho um que realmente sei que não li. São contos de renomados
escritores do mundo inteiro. Textos curtos. Leio rápido. Ele me interrompe
algumas vezes. Não entende que estou no meu momento. Isso me chateia. Sinto
vontade de parar de ler e dormir. Mas insisto. Ignoro os comentários até ele
perceber que quero continuar lendo em paz. Dois a dois. Não vou deixar isso me
afetar.
Quase terminando o livro. Levanto,
vou tomar minha cerveja. É um prazer passageiro, na verdade, mais uma afronta
que um deleite. Sei que ele não gosta. Mas a ideia não é agradá-lo. É agradar a
mim. E me trazer recordações de momentos felizes. Bebo com satisfação. Dois a
três. Virei o jogo.
Já o almoço não é como eu esperava.
A comida não me traz a satisfação de antes. Como em silêncio e todos me
acompanham na falta de assunto. Poderia ter escolhido outra comida. Ter feito
alguma coisa para todos. Culpa. Três a três. Que droga... Ela empatou a
partida.
Termino rápido, a sobremesa já
não parece tão gostosa como eu imaginei. A tristeza ronda, o dia vai pela
metade e quase não fiz nada. Vou me deitar um pouco. Quatro a três. Está me
vencendo.
Não consigo dormir. Inquieta,
hora sinto frio, hora sinto calor. Sede, xixi... Vou me irritando. Sempre
gostei do meu sono da beleza depois do almoço. Nem isso hoje me dá prazer. A
raiva aumenta. Cinco a três. Meu domingo está perdido.
Pensei em tanta coisa. Já são
quase três da tarde e eu não fiz quase nada. Volto ao livro. Pelo menos vou
terminar. Às vezes tenho que ler o mesmo trecho mais de uma vez pra entender,
porque a falta de concentração me faz passar pelas palavras sem conectá-las.
Que luta. Mas termino. A sensação é boa. Cinco a quatro. Ainda posso pelo menos
empatar.
Resolvo que vou caminhar. Uma
atividade física tem que ter. Queria ir sozinha, mas sei que vai ser
impossível. Ele quer que seja só nós dois. Mas eu convido a todos. Pelo menos,
não preciso interagir. E vamos todos. Coloco meus fones de ouvido na clara
demonstração que não quero conversa. Mas vejo o jogo mudar. Cinco a cinco. Eu
posso vencer.
A caminhada não é exatamente como
queria. Local feio. Puxando outras pessoas, não vou no meu ritmo. Mas não me
deixo abater. A lista de música que toca foi toda feita para meu anjo. Vou pensando
em nós o tempo todo. No que vivemos. No que poderíamos viver. Penso em falar
dele para o psicólogo, admitir que muito do que vivo hoje tem a sua influência.
Mas ainda não é o momento. Volto a sonhar.
Estou cansada. Há tempos que não
faço nenhuma atividade. Mas me sinto bem. Acho que valeu o ponto positivo.
Já está ficando tarde. Tinha em
mente ainda escrever e ver um filme. Escolho escrever, embora não saiba ainda
sobre o quê. Escrevo sobre o dia. Mais uma atividade que me faz bem. Cinco a
seis. Se eu não me entregar até a hora de dormir, posso encerrar com um saldo
positivo. Ainda há coisas que queria ter feito. Mas entendo que foi um bom dia.
Talvez eu consiga outros dias assim.
E a vida segue. Devagar...
terça-feira, 12 de maio de 2020
Solidão
Os dias pesam sobre tudo ao meu redor. Dias bons, intercalados de dias pesados, difíceis. Essas oscilações fazem a gente sofrer mais ainda.
Mas ultimamente as coisas têm sido piores. Um pedaço do meu coração simplesmente parou de bater. Sem vida.
Tive um momento de angústia intensa. Falei coisas demais. Deixei toda a frustração passar para o papel. A mágoa de mais uma vez não ser a escolhida. Toda a decepção de estar sem ele novamente. O mesmo gosto da rejeição que eu senti há tanto tempo atrás. Ele não me escolheu.
Tanto rancor... Fiz tanta coisa pra tê-lo. Mudei minha vida nos últimos anos. Ouvia sua voz pedindo que eu tomasse conta de mim mesma. Cuidasse mais... Virei outra. Por fora principalmente. Sempre tive medo de não ser quem ele esperava de mim.
Por dentro, o mesmo mundo de insegurança, dúvidas. Mas agora, em busca do sol. E ele era meu sol.
Iluminava meus dias com suas flores vermelhas no bom dia. Ouvir ele dizer sobre seu trabalho, seu dia. Suas crianças. Tudo isso me enchia de alegria. Saber de mamis, ouvir suas queixas e preocupações sobre o trabalho.
Mas eu pulei no penhasco. Deixei o peso do passado, misturado com a frustração do futuro... Deixei isso virar palavra... E palavra dói, machuca.
E ele não perdoa. Não volta atrás.
Sentiu a tristeza tomando conta. Deixou as palavras ficarem. Não sabe relevar.
Mas eu já sabia disso. Sabia, assim que vi a visualização de tudo, que eu ia pagar um preço alto. Mas nunca pensei que fosse tanto.
Ele caiu. O Anjo caiu na terra. Nu e sem asas. Se sentiu assim. Permitiu que o meu momento de fúria entrasse no seu coração. Talvez tenha visto alguma verdade no que leu. Ou só viu coisas ruins. Mas machucou, feriu.
Sangrou. Virou dor. Secou. De repente, tudo desmorona. Some. Sigo firme no meu propósito. Não vou mais atrás. Preciso me conformar. De novo, ele não me escolheu. Ouço coisas duras. Olho por olho. Fiz sofrer. Me faz sofrer.
Sabemos atingir, magoar. O tempo todo usamos isso. Ele procura, mas se retrai. Eu simplesmente enxergo a perda. Se foi.
Custo a entender. Ele está irreconhecível. Um dia, dois dias, voltou ao chão. Ele está enterrado. Me arrependo, ele não cede mais.
Dor. Causei dor. Senti dor. Peço perdão. Sei que não adianta. Mas espero no seu amor. E nada.
Dor. Indiferença. Rancor. Ele é ríspido. Paciência e carinho, não vejo mais.
Penso em todos os momentos assim no passado. Até comuns. Mas não como agora.
Preciso entender. Não o vejo mais. Vazio.
Ele ensaia perdão. Mas não consegue perdoar.
A mágoa está em suas palavras o tempo todo.
Não lamento mais. Fiz. Recebi de volta.
Tento acalmar meu coração. Vai passar. Ele pergunta, se preocupa. Mas procuro me conter. Ele tem uma dívida comigo: não pode me deixar. Mas permanece por força. Não está à vontade.
Volto a chorar enquanto tomo banho. Raro momento de paz. Lembro de outros momentos assim. Ele já me viu chorando no banheiro. Culpa. Mais. Como sempre.
Tentamos uma, duas, várias vezes. A conversa não flui. Estou retraída. Culpa, raiva, rejeição. Ele não está mais ali.
Eu só queria estar com ele. Voltar a sonhar com seu abraço e seus carinhos. Voltar a dormir pensando nele. Eu só queria...
O amor... Faz de tudo dentro da gente. Estremece, amedronta. Amar desacelera, desencoraja. Guardo meu amor. Exposta, sozinha. Mágoa por tudo.
Eu só queria que ele entendesse que desistir de lutar é mil vezes pior do que brigar pra ser feliz. Já desisti outras vezes..dessa vez quis lutar. Mas não sei fazer isso. Medo. Estou de volta à solidão. Não sei mais voltar.
Preciso sentir o amor de novo. Descansar no porto seguro. Sentir amor.
Preciso da paz do seu sorriso. Das suas flores no bom dia. Preciso do seu amo vc apaixonado e verdadeiro. Preciso.
Não sei como resgatar. Não sei como retomar. Mas eu estou aqui. Meus sonhos juntos estão guardados no meu coração, simplesmente esperando o seu sim.
Às vezes o coração fraqueja, o medo entra e faz morada. A rejeição aflora. O passado volta. Ele não me escolheu.
Mas eu fecho os olhos, o tempo pára. Um dia vai ser diferente. E eu vou esperar. Porque o amor só se vive uma vez. E sei que mereço isso. Ele também.
Esperar. Não posso mais que isso. Mas meu amor espera pelo amor que ele tem pra mim. Mesmo que ele não seja pra hoje. Nem pra amanhã.
Mesmo que eu pense que não mereço. E que ele pense isso também. Mas meu amor espera pelo seu.
Mais mil anos. Ou um dia. Quando puder ser meu. Inteiro ou pela metade. Todo ou em partes. Espero por você.
Porque amor assim não se perde, não se deixa passar. Nem hoje, nem nunca. Dura pra sempre. Sempre dura.
Mas ultimamente as coisas têm sido piores. Um pedaço do meu coração simplesmente parou de bater. Sem vida.
Tive um momento de angústia intensa. Falei coisas demais. Deixei toda a frustração passar para o papel. A mágoa de mais uma vez não ser a escolhida. Toda a decepção de estar sem ele novamente. O mesmo gosto da rejeição que eu senti há tanto tempo atrás. Ele não me escolheu.
Tanto rancor... Fiz tanta coisa pra tê-lo. Mudei minha vida nos últimos anos. Ouvia sua voz pedindo que eu tomasse conta de mim mesma. Cuidasse mais... Virei outra. Por fora principalmente. Sempre tive medo de não ser quem ele esperava de mim.
Por dentro, o mesmo mundo de insegurança, dúvidas. Mas agora, em busca do sol. E ele era meu sol.
Iluminava meus dias com suas flores vermelhas no bom dia. Ouvir ele dizer sobre seu trabalho, seu dia. Suas crianças. Tudo isso me enchia de alegria. Saber de mamis, ouvir suas queixas e preocupações sobre o trabalho.
Mas eu pulei no penhasco. Deixei o peso do passado, misturado com a frustração do futuro... Deixei isso virar palavra... E palavra dói, machuca.
E ele não perdoa. Não volta atrás.
Sentiu a tristeza tomando conta. Deixou as palavras ficarem. Não sabe relevar.
Mas eu já sabia disso. Sabia, assim que vi a visualização de tudo, que eu ia pagar um preço alto. Mas nunca pensei que fosse tanto.
Ele caiu. O Anjo caiu na terra. Nu e sem asas. Se sentiu assim. Permitiu que o meu momento de fúria entrasse no seu coração. Talvez tenha visto alguma verdade no que leu. Ou só viu coisas ruins. Mas machucou, feriu.
Sangrou. Virou dor. Secou. De repente, tudo desmorona. Some. Sigo firme no meu propósito. Não vou mais atrás. Preciso me conformar. De novo, ele não me escolheu. Ouço coisas duras. Olho por olho. Fiz sofrer. Me faz sofrer.
Sabemos atingir, magoar. O tempo todo usamos isso. Ele procura, mas se retrai. Eu simplesmente enxergo a perda. Se foi.
Custo a entender. Ele está irreconhecível. Um dia, dois dias, voltou ao chão. Ele está enterrado. Me arrependo, ele não cede mais.
Dor. Causei dor. Senti dor. Peço perdão. Sei que não adianta. Mas espero no seu amor. E nada.
Dor. Indiferença. Rancor. Ele é ríspido. Paciência e carinho, não vejo mais.
Penso em todos os momentos assim no passado. Até comuns. Mas não como agora.
Preciso entender. Não o vejo mais. Vazio.
Ele ensaia perdão. Mas não consegue perdoar.
A mágoa está em suas palavras o tempo todo.
Não lamento mais. Fiz. Recebi de volta.
Tento acalmar meu coração. Vai passar. Ele pergunta, se preocupa. Mas procuro me conter. Ele tem uma dívida comigo: não pode me deixar. Mas permanece por força. Não está à vontade.
Volto a chorar enquanto tomo banho. Raro momento de paz. Lembro de outros momentos assim. Ele já me viu chorando no banheiro. Culpa. Mais. Como sempre.
Tentamos uma, duas, várias vezes. A conversa não flui. Estou retraída. Culpa, raiva, rejeição. Ele não está mais ali.
Eu só queria estar com ele. Voltar a sonhar com seu abraço e seus carinhos. Voltar a dormir pensando nele. Eu só queria...
O amor... Faz de tudo dentro da gente. Estremece, amedronta. Amar desacelera, desencoraja. Guardo meu amor. Exposta, sozinha. Mágoa por tudo.
Eu só queria que ele entendesse que desistir de lutar é mil vezes pior do que brigar pra ser feliz. Já desisti outras vezes..dessa vez quis lutar. Mas não sei fazer isso. Medo. Estou de volta à solidão. Não sei mais voltar.
Preciso sentir o amor de novo. Descansar no porto seguro. Sentir amor.
Preciso da paz do seu sorriso. Das suas flores no bom dia. Preciso do seu amo vc apaixonado e verdadeiro. Preciso.
Não sei como resgatar. Não sei como retomar. Mas eu estou aqui. Meus sonhos juntos estão guardados no meu coração, simplesmente esperando o seu sim.
Às vezes o coração fraqueja, o medo entra e faz morada. A rejeição aflora. O passado volta. Ele não me escolheu.
Mas eu fecho os olhos, o tempo pára. Um dia vai ser diferente. E eu vou esperar. Porque o amor só se vive uma vez. E sei que mereço isso. Ele também.
Esperar. Não posso mais que isso. Mas meu amor espera pelo amor que ele tem pra mim. Mesmo que ele não seja pra hoje. Nem pra amanhã.
Mesmo que eu pense que não mereço. E que ele pense isso também. Mas meu amor espera pelo seu.
Mais mil anos. Ou um dia. Quando puder ser meu. Inteiro ou pela metade. Todo ou em partes. Espero por você.
Porque amor assim não se perde, não se deixa passar. Nem hoje, nem nunca. Dura pra sempre. Sempre dura.
Assinar:
Postagens (Atom)