quinta-feira, 18 de junho de 2020

Depois do fundo do poço




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Há algum tempo penso em escrever sobre isso. Mas ainda não tinha reunido coragem. São memórias dolorosamente recentes. Ainda não sei lidar muito bem com toda essa história.
Vou voltar um tempo. O necessário para que eu mesma entenda como foi que eu cheguei ao fundo do poço.
Novembro. Não tenho certeza se no começo ou no fim. Ano passado. Um dia qualquer, uma mensagem no celular. Um amigo antigo. Colegas de profissão. Ele, bem posicionado, empresa grande, cargo de destaque. Eu, gerente em uma indústria pequena em um estado pequeno, sem expressão. Uma proposta de emprego. Na verdade, a segunda da mesma empresa. Dessa vez, um cargo de supervisão. Meu coração dispara. A proposta da minha vida, de novo em minha porta.
A proposta de salário me deixa constrangida. Nem tenho coragem de falar quanto ganho atualmente. O dobro. Em um cargo de grandes responsabilidades. Outro estado, tudo novo.
Primeiro pensamento é falar com ele. Passou a ser a minha primeira opção para tudo. Sempre dá atenção às coisas que eu falo. Sempre tem tempo para mim. Nunca me deixa falando sozinha. Enfim, divido com ele.
Ouço suas ideias. Divido meus medos. Trocamos ideias sobre como proceder. Vou deixar a conversa fluir. Avaliar tudo. Afinal, é deixar para trás uma vida que comecei a construir nessa cidade. Por um momento, esqueço de tudo. Só penso na oportunidade de ter um emprego em uma empresa grande. Vinte anos na área e nunca tive essa oportunidade.
Passo a visualizar a possibilidade de sair de casa. A princípio, iria só. Será que a família concordaria? Filho na escola. Marido com carreira consolidada... Mas era a minha chance profissional. Não escondo a animação. Talvez a chance de sair deste relacionamento com classe. Iria, o tempo passaria, longe um do outro, as coisas poderiam acabar por si só. Seria um alívio.
Mas volto para realidade. Penso na minha cirurgia. Fevereiro. Abrir mão disso, sem previsão para nova data. Começar do zero. É o preço.
Preciso falar em casa. Adio o máximo que posso. Sei que não vai ser uma conversa fácil. Mas preciso falar. Falo.
Um balde de água fria é um eufemismo leve demais. Fui jogada de volta à realidade sem nenhuma gentileza, com ênfase na decisão: “Eu não vou nunca. Não sei porque você iria. Só pelo dinheiro, não precisa. Estamos bem aqui.” Foi um choque, apesar que se eu tivesse pensado mais um pouco, não esperaria nada diferente.
Deixou claro sua posição. Mesmo propondo um tempo para me adaptar, para ele avaliar a área em relação à sua experiência profissional. Nada o demoveu. Eu não tive forças para lutar.
Afundei em tristeza. Não sabia nem o que responder para a proposta. Eu estava, definitivamente, fechando uma porta importante na minha vida.
A partir daí, os dias perderam mais ainda o seu encanto. Ele, que tanto tinha me incentivado a ir, ficou decepcionado por eu não lutar, não insistir. Eu não tive forças. Escapou entre meus dedos a oportunidade que busquei a vida toda.
Outro dia, e mais outro, e os dias vão se passando. Tudo cinza. Negro. A tristeza sobre meu coração já não me perturba mais. Estou inerte. Não sinto mais.
Vivo no automático. Até que em outro capricho do destino, recebo uma proposta para um mestrado. Uma orientação de peso, em um programa inovador. Não me interesso. Já foi algo que busquei em outros tempos. Hoje, não me faz mais brilhar os olhos. Mais uns dias, e a proposta ressurge. O edital está aberto. Participe. Gostaria de trabalhar com você.
Eu deixo os dias passarem. Não tenho vontade de me mover.
É véspera do nosso aniversário de casamento. Não penso em nada com relação a isso. A dor da decepção ainda pulsa na minha cabeça. Cada dia mais calada, mais introspectiva dentro de casa.
Sexta-feira. Vejo conversas e risos dissimulados em casa. Não gosto dessa sensação. Ele está preparando alguma coisa para a data. Na hora do almoço pergunta se eu iria para um lugar sem saber onde seria. A tristeza chega de vez. Não tenho coragem de dizer que não.
A animação dele é uma afronta para mim. Não sei se não percebe meu olhar triste, ou se simplesmente não se importa. Ele arruma minha mala. Não tenho ideia para onde quer me levar.
Sábado. Ele me acorda cedo. Nem vai trabalhar. Café da manhã na padaria. Ele faz o roteiro todo para me agradar. Pegamos a estrada. Ainda nem sei para onde estamos indo.
Não consigo interagir. A vontade de chorar a todo instante vem. Por fim, ele revela. Meu Deus... que lugar longe. Realmente, há algum tempo eu já havia falado sobre o local, mas não agora. Não com esse clima. Não com esse humor.
Enfim, chegamos. O clima frio combina com o meu estado. Tento fazer de tudo para retribuir o momento. Tudo é forçado em mim.
Tento não manter o contato com ele. Me proponho a ter um final de semana de dedicação ao meu relacionamento. Mas o esforço só me deixa mais triste ainda.
Falo com o amigo da proposta. Finalmente tenho coragem de dizer que não vou. Ele me ouve, entende por um lado meus argumentos. Eu choro sozinha no banheiro. Realmente, não tem jeito.
Não resisto, falo com ele um pouco. Sinto como se estivesse ganhando um prêmio de consolação por não ter aceitado o emprego. A sensação é de traição, porque todos se envolveram nos planos dele. Fiquei muito triste. Mais do que já estava.
Passeamos, conhecemos a cidade. Meu coração gelado como um iceberg. Mas sou boa em fingir. Só não consigo fingir a parte da cama. A falta de envolvimento, de entrega, de prazer. Acho que ele nota, não sei. Parece não se importar. Tortura.
Chega a hora, vamos embora, finalmente. Converso um pouco com ele. Está com ciúmes, mal nos falamos. Eu sinto sua falta. Às vezes o culpo pelo que estou passando. Como se ele pudesse me tirar deste abismo.
Em casa. Aliviada. Passou. Converso com ele. Abro meu coração, conto a frustração da viagem, a falta de ânimo, a saudade.
Chega a segunda. De fato, o aniversário do casamento. Detesto a data. Recordo como foi nosso casamento. Frio. Sem brilho. Totalmente diferente do que eu poderia ter feito. Ele me podou as asas, não permitiu nada além do que uma comemoração simples no quintal da sogra. Nada como poderia ter sido. Não gosto de comemorar.
É o último dia de inscrição para a prova do mestrado. Ele se propõe a me ajudar. Depois, saímos para comemorar as bodas. Estou exausta, mas aceito. Não vou desistir sem tentar.
O processo de envio dos documentos é chato. Por quê mesmo estou fazendo isso? Enfim, terminamos.
Vamos para o nosso restaurante preferido (dele). Ele traz a mochila junto. Diz que meu presente está lá. Discutimos o cardápio, pedidos alguma coisa que não me recordo. Ele começou a falar.
Falou do começo do nosso relacionamento, como as coisas mudaram desde então. Elogiou as mudanças, disse das nossas aventuras, eu ouvindo e participando com algumas observações. Ele continuou a falar, e de repente, mudou o semblante. Meu coração gelou no peito. Conheço aquela expressão. Ele vai começar a falar sobre coisas que tenho certeza que não vou gostar.
O jantar chega e fica à nossa frente. Ele está com raiva. Olha para mim com olhos duros. Me chama de coisas que não consigo colocar no papel. Diz que eu traí novamente a dedicação e o seu amor. Continuo com as conversas pelo telefone com o outro. Leu nossas ultimas conversas. Meu sangue congela. Fala detalhes dos diálogos. Me ofende. As lágrimas escorrem no meu rosto. Diz coisas pesadas. Que enquanto ele preparava um final de semana maravilhoso para nós dois, eu falava mal dele pelas costas, com uma pessoa que ele já tinha deixado claro que só fazia prejudicar nosso casamento.
Eu imploro para ele parar. Estou chorando e os garçons me olham de canto de olho. Eu só quero ir embora. Ele insiste. Fala mais. Como sou leviana. Como não deixo de viver esse romance paralelo em prol do nosso casamento. Usa de tudo. Diz que eu me humilho e imploro pelo amor de uma pessoa que não me ama. Que me ofereço, que rastejo, que ele tem pena de mim. Que eu não sei reconhecer que o outro não quer nada comigo, só tem pena de mim.
O fundo do poço. Já tinha chegado perto, mas nunca assim. O fundo do poço é sufocante. Você olha para cima e não vê a luz. A água do fundo do poço é gelada e dói em nossos ossos. O espaço é pequeno, e você não consegue se mexer, mal consegue respirar. O fundo do posso é o pior lugar para se estar. E eu estava lá.
Pede a conta e que embrulhem a comida. Quer selar a minha humilhação me fazendo chegar em casa com todo o jantar. No caminho de casa, nem uma palavra. Fecho os olhos e tento me acalmar.
A sordidez de me tirar de casa, me levar para jantar, mesmo tendo lido minhas conversas. Feito eu me arrumar. Levado o presente, que aliás, nem me entregou. Humilhada.
Eu não sei mais o que dizer. Peço desculpas novamente. Milésima vez. Penso em acabar com tudo aquilo. Não aguento mais. Sou fraca, me culpo. Ele está coberto de razão. Sou sem moral, me envolvo com uma pessoa além do meu relacionamento. Além de tudo, uma pessoa que não me quer. Toda a culpa, toda a dor. Eu sou a razão do meu próprio sofrimento. Acabo com tudo isso e pronto. Eu só quero morrer.
Os dias vão passando. Ele se acalma, procura por sexo. Cedo, pela milésima vez. Vai fazer ele se esquecer por um tempo dos problemas. Sinto como se fosse um estupro. Meu corpo invadido sem amor. Usada para a sua satisfação. Morro um pouco mais.
Um dia, almoço, uma conversa pela internet. Voltam as cobranças. Outra conversa lida. Não entendo como ele tem acesso a isso. Vigilância. Sinto como se fosse uma prisioneira. Eu não sei mais chorar. Estou anestesiada. Ele fala, argumenta que eu preciso dar uma oportunidade para o nosso casamento sem a sombra da terceira pessoa entre nós. Dentro de mim, só gelo. Ouço e não me importo mais. Digo que não. Que não quero mais insistir.
Ele se assusta. Diz que quer voltar a conversar em casa. Eu digo que não quero mais falar sobre nada.
Em casa. Ele retoma o assunto. Eu insisto que não quero mais falar sobre nada. Ele insiste. Eu peço para parar. Ele não para. Joga pela milésima vez sobre mim as minhas traições, minha dedicação a outra pessoa. Que eu rastejo e me humilho por quem não está nem ai para mim. Ele pega mais pesado ainda. Pergunta se não me sinto mal com Deus por estar insistindo em acabar com o casamento de outra mulher. Se não penso nos filhos dele. Mas ainda sim diz que ele não me quer. Que tem pena de mim.
O fundo do poço ainda era mais embaixo. Iludida, eu achei que não poderia piorar. Mas sim, havia mais a cavar, mais a me soterrar. Se antes a água me envolvia, no fundo do poço mesmo, havia lama. Pegajosa, que me envolvia os braços e as pernas e me impedia de me mexer. No fundo do poço, com lama até o pescoço, sem conseguir respirar. Para a morte, não faltava mais nada.
Eu reajo. Estou exausta da humilhação. Do cansaço, da invasão. Estou morta por dentro. Eu digo que basta. Que não quero mais. Digo que não quero mais me desculpar, prometer me afastar do outro e não cumprir. Não quero mais ser acusada e carregar as culpas do mundo sobre mim. Não quero mais vender minha dignidade em busca de paz. Chega. É o fim.
Mais uma vez ele se surpreende. Muda o tom. Pergunta se é isso mesmo. Eu digo que sim. Insisto. Ele desconversa. Diz que devemos esfriar a cabeça e conversar depois. Eu não quero mais.
Estou no início do tratamento com o psiquiatra. Meu mundo desaba. Estou me adaptando aos remédios, me livrando da vontade de morrer. Tudo desmorona ao meu redor.
Ele não quer perder. Envolve nosso filho. Passa a sair com ele constantemente. De repente, está usando isso contra mim. Fala que o menino está decepcionado comigo, que sabe do outro, leu coisas no meu telefone. Eu fico sem reação. Eu o culpo de envolver a criança nos nossos assuntos. Nessa altura, a família inteira já sabe. Saio do nosso quarto. Sinto um pouco de paz.
O clima em casa piora assustadoramente. Resolvo que vamos falar com o filho sobre a separação. Ainda não era o fundo do poço. Estou novamente enganada. Havia mais depois da lama. E eu agora, estou coberta dos pés à cabeça. Meu filho me olha com rancor. Quase ódio. Seu corpo se sacode ao me acusar de destruir a família. A lama está por toda parte. Dentro da minha boca, no meu nariz. Já não consigo ver nada. Ele fica calado enquanto eu me justifico. Saboreia a minha dor em tentar me explicar. Ele está por cima na situação. Meu coração não bate mais. Ele me atingiu no único lugar que meu coração não suportaria. Meu filho, agora, tem raiva de mim.
Inferno. Depois da lama, havia a lava. Meu corpo queima no castigo que eu mesma escolhi viver. A culpa de todos os males da humanidade cai sobre mim ao ver meu filho chorar. Culpa minha. Toda minha. Leviana, imoral, traidora. Estou fazendo todos ao meu redor sofrer.
Eu não posso com isso. Estou sozinha e envergonhada. Do outro lado do telefone, ele tenta me ajudar. Está indignado pelo envolvimento do filho. Eu estou cega de dor. Toda a culpa do mundo sobre mim. Os momentos a mais com ele passam a me gerar vergonha. Agora que durmo sozinha, posso falar com ele até cansar. Mas a culpa me traz sentimentos conflitantes. Eu estou fazendo todos sofrerem para poder ter minutos a mais com ele. Vadia. Sou definitivamente uma vadia.
Tenho um retorno com o psiquiatra. Conto a ele a minha decisão. Ele é enfático. Não posso fazer isso neste momento. Ele me empurra mais ainda para a lama do poço. Achei que embora não fosse o momento, ele não iria se opor veementemente a isso. Mas ele não sabe do todo. Da história toda, que eu sou uma mulher sem caráter, que se envolveu com um homem casado e que cultiva esse relacionamento em detrimento do meu próprio casamento. Ele não sabe. Não tenho coragem de contar. Ele é enfático. Desmanche isso. Volte atrás. Use os argumentos que achar necessário, use até o parecer dele próprio. Eu não posso passar por um processo de divórcio nessas condições psicológicas.
Abaixo da lava do fundo do poço ainda podia existir mais coisas. Morta. Castigada na própria representação do inferno que a minha vida se tornou.
Recuo. Peço perdão, digo que não é o momento. Ele já estava ameaçando ir embora para outra cidade. Se mudar. Deixar nosso filho. Me deixar viver o que eu quisesse.
Dez passos para trás. Risco do coração os últimos traços de esperança. Falo com ele, um golpe. Ele não consegue esconder a decepção. Fez planos para essa nova era. Desmanchei tudo. Não sirvo para ser feliz. Não mereço. Sou suja. Faço todos ao meu redor sofrer. Eu devia terminar com isso e tomar logo todos os remédios que tenho em casa.
Mas o castigo seria pouco. Meu castigo é viver.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Dia de hoje

Mal consigo falar hoje. Ele está insuportavelmente ao meu lado o dia todo, o tempo todo. Não para de falar um minuto. Minha cabeça não aguenta mais.
Eu sei, a TPM potencializa muito as coisas, mas realmente estou cansada até da voz dele.

Eu vivo em dois mundo diferentes. Em um mundo é isso. Momentos bons em família, coisa que há tempos eu não sentia. Estou mais relaxada. Não preciso fazer tanta força para interagir. Mas tem momentos que eu só queria ficar sozinha. Nesse mundo, sou mãe. Dona de casa. Esposa. Trabalho fora também. Tenho muitas responsabilidades no trabalho. Tomo remédio controlado pra dormir e pra acordar. É uma vida mediana. Tenho bons momentos de laser, embora eventuais. Uma vida confortável. É isso.
No outro mundo que eu vivo, sou só eu e o amor da minha vida. Nesse mundo, apesar de ser mãe, não tenho a presença constante do filho. Não sou dona de casa. Acordamos e dormimos em hotéis, café da manhã sempre pronto. Na volta do passeio, nossa cama já está arrumada.
Nesse mundo diferente, sou outra pessoa. Ou a mesma pessoa que já fui. Não sei ao certo.
Sou mulher. Só mulher. Tenho desejos. Desejos de amor. Também tenho desejo de viver. No meu mundo encantado, estou sempre viajando, passeando. Toda noite temos que decidir onde ir. Barzinho, sair pra dançar. Só jantar. Pedir uma comida no quarto mesmo.
No primeiro mundo, tenho a satisfação pelo trabalho. Crescimento, reconhecimento. O sabor da conquista pelo meu próprio esforço. No outro mundo, o trabalho não existe. É sempre feriado, férias...
O primeiro mundo eu preciso todos os dias acordar bem cedo. Decidir, o dia todo tomando decisões precisas. Não posso errar.
Ah... Na outra vida a gente erra. Erra o caminho no GPS, erra na escolha do jantar, mas são erros sem gravidade, que vão somente nos fazer rir ou se aborrecer um pouco.
O agora só existe no mundo do começo. Nesse mundo, as coisas são vividas dia após dia. Não há muito espaço pra devaneios. É pressão, repressão, depressão.
No mundo do depois, tudo é leve. As cobranças mais parecem gestos de amor.
Sou eu no segundo mundo. Riso solto, sentimento de juventude, da arte feita escondida. No depois, tudo é sem pressa. Menos a vontade de estar juntos. Essa, é urgente, pra ontem.
No mundo de verdade, finjo. Suporto. Mas é onde estão meus pés. Sólidos no chão. Tudo medido, tudo controlado. Hora pra dormir, hora pra acordar. Hora de fingir. Hora de ignorar.
Já o mundo paralelo, não existem relógios. O mundo muda de cor quando sou capaz de vê-lo depois de algum tempo. O tempo vibra. Respiramos o mesmo ar. Corações no mesmo ritmo.
Mas o primeiro mundo é o real. Onde eu precisei algemar meus pés. Não tenho como fugir. É onde eu desempenho os papéis que a sociedade espera de mim. Foi onde eu disse o "sim" e aceitei o que viria. Mesmo sem saber o que seria.
No outro mundo, só momentos para se relembrar a vida inteira. Fotos guardadas pra poder acreditar que é tudo verdade. Mas não há o amanhã. Não há planos. Não há chegadas programadas.
Um mundo sabe do outro. Isso me incomoda. Porque cada mundo tenta me fazer entender que devo ficar nesse ou naquela mundo.
Cada dono de um mundo tenta me provar que o outro mundo não tem futuro.
E eu, fico no meio desses dois mundos: um aonde eu encontro segurança, família e conceitos. E no outro, onde sou feliz de verdade.

Um mundo, dois mundos, três pessoas, muitas questões.
Agora chega
Estou cansada de estar cansada.
Vou dormir e ir para o meu mundo paralelo. E buscar ficar mais tempo neste mundo onde posso ser eu mesma. Mesmo que depois eu me troque, tire a máscara e a volte ao mundo real. Mas enquanto eu puder, vou viver isso que eu tenho, pq antes dois mundos do que nenhum...

Muito sono hoje.
Cansada
Pressão grande na Clan.
E ele sem parar de falar um minuto
Mas segue a vida.
Amanhã nos falamos mais

Bjos