quinta-feira, 4 de junho de 2020

Dia de hoje

Mal consigo falar hoje. Ele está insuportavelmente ao meu lado o dia todo, o tempo todo. Não para de falar um minuto. Minha cabeça não aguenta mais.
Eu sei, a TPM potencializa muito as coisas, mas realmente estou cansada até da voz dele.

Eu vivo em dois mundo diferentes. Em um mundo é isso. Momentos bons em família, coisa que há tempos eu não sentia. Estou mais relaxada. Não preciso fazer tanta força para interagir. Mas tem momentos que eu só queria ficar sozinha. Nesse mundo, sou mãe. Dona de casa. Esposa. Trabalho fora também. Tenho muitas responsabilidades no trabalho. Tomo remédio controlado pra dormir e pra acordar. É uma vida mediana. Tenho bons momentos de laser, embora eventuais. Uma vida confortável. É isso.
No outro mundo que eu vivo, sou só eu e o amor da minha vida. Nesse mundo, apesar de ser mãe, não tenho a presença constante do filho. Não sou dona de casa. Acordamos e dormimos em hotéis, café da manhã sempre pronto. Na volta do passeio, nossa cama já está arrumada.
Nesse mundo diferente, sou outra pessoa. Ou a mesma pessoa que já fui. Não sei ao certo.
Sou mulher. Só mulher. Tenho desejos. Desejos de amor. Também tenho desejo de viver. No meu mundo encantado, estou sempre viajando, passeando. Toda noite temos que decidir onde ir. Barzinho, sair pra dançar. Só jantar. Pedir uma comida no quarto mesmo.
No primeiro mundo, tenho a satisfação pelo trabalho. Crescimento, reconhecimento. O sabor da conquista pelo meu próprio esforço. No outro mundo, o trabalho não existe. É sempre feriado, férias...
O primeiro mundo eu preciso todos os dias acordar bem cedo. Decidir, o dia todo tomando decisões precisas. Não posso errar.
Ah... Na outra vida a gente erra. Erra o caminho no GPS, erra na escolha do jantar, mas são erros sem gravidade, que vão somente nos fazer rir ou se aborrecer um pouco.
O agora só existe no mundo do começo. Nesse mundo, as coisas são vividas dia após dia. Não há muito espaço pra devaneios. É pressão, repressão, depressão.
No mundo do depois, tudo é leve. As cobranças mais parecem gestos de amor.
Sou eu no segundo mundo. Riso solto, sentimento de juventude, da arte feita escondida. No depois, tudo é sem pressa. Menos a vontade de estar juntos. Essa, é urgente, pra ontem.
No mundo de verdade, finjo. Suporto. Mas é onde estão meus pés. Sólidos no chão. Tudo medido, tudo controlado. Hora pra dormir, hora pra acordar. Hora de fingir. Hora de ignorar.
Já o mundo paralelo, não existem relógios. O mundo muda de cor quando sou capaz de vê-lo depois de algum tempo. O tempo vibra. Respiramos o mesmo ar. Corações no mesmo ritmo.
Mas o primeiro mundo é o real. Onde eu precisei algemar meus pés. Não tenho como fugir. É onde eu desempenho os papéis que a sociedade espera de mim. Foi onde eu disse o "sim" e aceitei o que viria. Mesmo sem saber o que seria.
No outro mundo, só momentos para se relembrar a vida inteira. Fotos guardadas pra poder acreditar que é tudo verdade. Mas não há o amanhã. Não há planos. Não há chegadas programadas.
Um mundo sabe do outro. Isso me incomoda. Porque cada mundo tenta me fazer entender que devo ficar nesse ou naquela mundo.
Cada dono de um mundo tenta me provar que o outro mundo não tem futuro.
E eu, fico no meio desses dois mundos: um aonde eu encontro segurança, família e conceitos. E no outro, onde sou feliz de verdade.

Um mundo, dois mundos, três pessoas, muitas questões.
Agora chega
Estou cansada de estar cansada.
Vou dormir e ir para o meu mundo paralelo. E buscar ficar mais tempo neste mundo onde posso ser eu mesma. Mesmo que depois eu me troque, tire a máscara e a volte ao mundo real. Mas enquanto eu puder, vou viver isso que eu tenho, pq antes dois mundos do que nenhum...

Muito sono hoje.
Cansada
Pressão grande na Clan.
E ele sem parar de falar um minuto
Mas segue a vida.
Amanhã nos falamos mais

Bjos





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